Entrevista com a Arte Ilustradora Anna Anjos

Conversamos com a famosa Arte-ilustradora, designer e artista plástica Anna Anjos, neste entrevista Anna fala sobre sua carreira e mostra um pouco do seu trabalho brilhante e criativo. Aproveite esta entrevista cheia de ilustrações e cores e se inspire para criar um site portofolio com BaseKit.

1.     Fale um pouco sobre você, como foi o seu inicio de carreira e o como você se tornou uma ilustradora?

Eu já havia trabalhado em agências de publicidade e em produtoras, mas não conseguia imaginar meu futuro atuando apenas como designer, sentia-me incompleta, pois era muito difícil trabalhar com a emoção em cada trabalho que realizava. Isso porque, diferente de uma arte-ilustração, a prioridade do design é atender a uma demanda comercial. Apesar de ser graduada em design, minha paixão por desenhar e colorir sempre falou mais alto.

Meu primeiro contato com ilustração aconteceu ainda nos primeiros anos da minha infância, no convívio com meu pai, que sempre desenhou. Os materiais de desenho que meu pai utilizava eram basicamente canetas coloridas, lápis de cor, hidrocores e giz de cera, e estes foram, então, os primeiros materiais com os quais pude desenvolver meu imaginário lúdico, que sempre foi inerente à minha personalidade.

Foi em 2008 que decidi seguir minha intuição e investir em minha carreira como arte-ilustradora. Digo arte-ilustradora, pois minha base sempre foi intuitiva. Apesar da minha formação clássica em desenho pelas Belas Artes de São Paulo, meu trabalho não prioriza as regras de proporção, por exemplo. Minhas ilustrações tendem ao onírico, ao surreal, a uma atmosfera onde tudo é possível.


2.     Como você descreve o seu trabalho e seu estilo? Você segue um padrão para os suas ilustrações?

Não sei qual seria o melhor “estilo” para definir meu trabalho. Posso dizer que sempre fui uma pessoa emotiva e lúdica. Minhas ilustrações são como vozes, que querem falar minhas vontades para o mundo; outras vezes são desejos de tornar o mundo “real” menos agressivo e violento.

Tecnicamente falando procuro trabalhar com paletas quentes, que trazem uma sensação de “aconchego”, de conforto. Há um reconhecimento do público quase imediato por esse mundo fluído de cores, em que os braços e pernas dos personagens que o compõe são longilíneos além, claro, da característica principal dos narizes “quadrados” e suas expressões de contemplação. Eles estão quase sempre admirando algo ou alguma coisa.

3.      Referente a sua carreira atual, qual é o seu tipo de projeto favorito e em qual projeto você está trabalhando no momento?

Gosto de trabalhar em projetos onde tenho liberdade criativa. É muito gratificante poder desenvolver minhas ilustrações para o mercado e obter feedbacks sempre positivos. Atuo para os mercados editorial, publicitário e agora atendo também ao mercado de moda (vestuário), criando estampas e padronagens exclusivas para roupas e acessórios.

Este ano fui responsável pelo projeto visual da Festa do “Seo” João, da Band. O evento reúne todos os anos as filiais do Brasil em São Paulo, todos os funcionários e artistas da emissora. Além da revitalização da marca da festa e de mandalas coloridas para compor a cenografia do evento, criei também um personagem que fosse um “estandarte de si mesmo”. Pesquisei referências de todo o Brasil para compor seu “estilo”: o chimarrão do Sul, o chapéu nordestino, a calça caipira, a saia e a gravata; com grafismos das calçadas de São Paulo e Rio de Janeiro (os grandes centros) e os adornos da vestimenta do Bumba meu boi, do Maranhão, além dos adornos indígenas, na tentativa de integrar esses elementos representando a figura do brasileiro.

Ainda este ano tive a oportunidade de criar os personagens tradicionais do folclore pernambucano, para a campanha do Carnaval Multicultural do Recife, em parceria com a RGA e Tatanka. Foram ilustrações para VT (vídeo veiculado durante todo o Carnaval em Recife) e 4 layouts principais:  Caboclo de Lança, Galo da Madrugada – o maior bloco de Carnaval do mundo; passista de Frevo e Rei e Rainha no Cortejo de Maracatu. Adorei o resultado final, pois tenho uma ligação pessoal muito forte com a cultura nordestina e sou muito influenciada por ela em meus trabalhos.

Prefeitura do Recife- Carnaval 2011- versão 2 from RGA Comunicação on Vimeo.

Ilustrações Carnaval Multicultural do Recife

Fotos Carnaval Recife

(Fotos Crédito: Gregório Rosa / Edição: Alexandre Soma)

Além das ilustrações comerciais, criei o blog Cocada Preta, onde pesquiso sobre as origens e raízes culturais de diversos povos e suas influências na cultura brasileira. Gosto muito de história e antropologia, e foi esse meu interesse que motivou a criação do Cocada. Além disso, a ideia do blog é resgatar um pouco as heranças culturais do Brasil, fomentando nossas tradições e origens aos brasileiros (“O Brasil que o Brasil não conhece“). Há muita informação sobre nosso país que ainda é desconhecida por nosso povo. Para quem quiser visitar o Cocada Preta: http://www.cocada-preta.blogspot.com

4.     Os seus trabalhos são feitos manualmente ou você usa um programa específico para criação, coloração e finalização?

O rough e o traço final das ilustrações são feitas à mão livre. Após finalizado o traço (geralmente com a Tombow) é então digitalizado para ser colorido no Photoshop. No caso de uma ilustração para o mercado, o primeiro passo é a pesquisa pertinente ao projeto, que geralmente ocorre através da internet. Tendo as informações básicas então começo a esboçar a ideia, que vai sendo refinada até o traço final e aplicação de cor.

Roughs – Passo-a-passo da Passista de Frevo

5.     Qual é a sua fonte de inspiração quando você vai iniciar um trabalho? Você tem algum site que você segue diariamente.

Geralmente antes de começar a trabalhar costumo visitar o Tumblr, aquilo é um verdadeiro brainstorm virtual! Mas minha grande inspiração, como muitos já sabem, é a música. Não consigo trabalhar sem música. Sou muito influenciada pelo som regional nordestina, por conta do universo naïff. Gosto muito de Mestre Ambrósio, Lenine, Siba e a Fuloresta, Otto, Nação Zumbi, Comadre Fulozinha e os tropicalistas – Tom Zé, Novos Baianos, Secos e Molhados e Gilberto Gil.

6.     Seus trabalhos são únicos. O que te leva a fazer este tipo de trabalho e que você faz para torná-los únicos?

Talvez que o que torne meu trabalho algo “único” seja o fato dos personagens e mundos que crio serem extensões de minha personalidade. Gosto de recriar cenas e situações oníricas, pois sempre fui uma pessoa lúdica.

ilustrações “A Sanfona Colorida” e “A Tangerina”

7.     Você pode nos dar um exemplo de como um idéia se transforma em uma peça de arte concreta?

No caso de uma ilustração pessoal gosto de criar quando tenho vontade de expressar algo. É instintivo, natural, não há uma metodologia. Geralmente a ideia acontece de situações inusitadas, como ao ler uma matéria sobre algo que me chama atenção, ou em uma conversa informal com amigos. Às vezes pode acontecer da inspiração surgir através de alguma música, como “Pagan Poetry”, arte homônima à música da Björk; ou de um filme, como “A Compadecida”, que nasceu influenciada pela obra de Ariano Suassuna (“O Auto da Compadecida”) adaptada ao cinema. (No caso desse último trabalho, fiz um vídeo onde registrei passo-a-passo o processo de colorização).

Ilustrações “Pagan Poetry” e “A Compadecida”

As ilustrações “Pagan Poetry” e “Princess in Green” decoraram o ambiente cenográfico da novela “Tititi”, da Rede Globo (mais especificamente, o quarto da personagem Thaísa, interpretada por Fernanda Souza), que foi ao ar em meados de 2010.

Animação “A Compadecida”

8.     Daqui a 5-10 anos como você vê a indústria de Design, Ilustração e Artes.  Quais são as metas que você deseja alcançar durante este período?

Em se tratando do cenário brasileiro acredito que as perspectivas serão muito boas, por conta da Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016), que manterá o Brasil em foco. Quero desenvolver outros trabalhos tendo o Brasil como tema central, porque acredito que temos aqui muita riqueza visual a ser promovida para o mundo, sob um olhar novo e não tão estereotipado como geralmente acontece.

9.     Você trabalha como Freelancer ou trabalha período integral para uma agência.

Sou arte-ilustradora freelancer e trabalho em meu estúdio.

10.  Que dicas você dar para os designers que estão lendo esta entrevista.

Fica aqui um conselho, não somente para os designers, mas pra todos que estão entrando no mercado agora: faça o que você ama, o que te dá prazer. Todo mundo tem algo que fala mais forte dentro de si, que não deve ser ignorado.

O cumprimento de prazos é algo que levo muito a sério, pois acho imprescindível que meus clientes tenham confiança em desenvolver algum projeto comigo; se eu fosse um cliente, gostaria de sentir essa mesma segurança do profissional que estivesse trabalhando em parceria comigo.

Há alguns meses atrás li um depoimento de Steve Jobs que nunca mais esqueci: “Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazendo aquilo que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um ótimo trabalho é fazendo o que você ama fazer. Se você ainda não encontrou, continue procurando. Não se contente. Assim como com as coisas do coração, você saberá quando encontrar. E, como qualquer ótimo relacionamento, fica melhor e melhor com o passar dos anos.” Agora em 2011 completo 3 anos de carreira. Olho pra trás e me sinto muito feliz ao ver que todo o empenho que tive até chegar onde cheguei valeu a pena e eu faria tudo de novo, se fosse preciso. Fico feliz ao ver que fiz a escolha certa ao seguir minha intuição.

11. Anna Anjos também virou uma marca, suas ilustrações são customizados para IPhones, IPod, MacBooks, quadros e até almofadas, fale um pouco deste projeto.

Comecei a aplicar minhas ilustrações em produtos em 2009, alguns meses depois em que me tornei freelancer, como forma de divulgação do meu trabalho. As primeiras ilustrações foram aplicadas em adesivos especiais para eletrônicos, os Cazuloskinz (http://www.cazulo.com/artistas/anna-anjos.html). A repectividade foi muito boa e então decidi ampliar o leque de produtos, tornando-me parceira da Galeria Urban Arts (http://www.urbanarts.com.br/artistas/annaanjos) e Cartazêra (http://www.cartazera.com.br/cartazera/shop/anna-anjos/), onde estão à venda produtos como jogos americanos, posters e quadros.

Em breve haverá outros produtos, como calendários e bottons, que pretendo vender através do site. (www.annaanjos.com)

11.  E para concluir a entrevista você tem algum projeto de ilustração para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos no Brasil.

Por enquanto ainda não. Mas espero que tenha a oportunidade de desenvolver ilustrações para esses dois eventos esportivos que serão realizados no Brasil. Nosso país é riquíssimo visualmente e será muito interessante fazer parte de projetos como esses!

 

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AutorAutorThomas Milton trabalhou com pós-produção e atualmente trabalha na BaseKit em Londres.

 

 

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